
Ganhei um caderno. Na capa, bolas coloridas e um olhar castanho. A moça tem cílios e boca cor-de-rosa contornados por grafite. Disse o galanteador, que se lembrou de mim. Na última página, ao contrário dos livros, uma dedicatória de amor. O presente mais bonito que ganhei.
No momento em que abri, uma frase brotou quase que instantaneamente na imensidão marfim. E uma série de lembranças saltaram para o meu colo, afrouxando o coração.
Há um ano, eu me sentava na grama, novamente, ao lado dele. A ocasião trazia as mesmas tristezas que invadiram de súbito o coração de menina debutante. Hora de a vida revelar, com sua voz amarga, seu verdadeiro dèbut.
Com passarinhos de papel, a frase ecoava como canção, enquanto o mar dividia suas águas com o olhar. Talvez o som viesse lá de dentro. Talvez as palavras eram dele, que com sua mão áspera acarinhava a minha alma, novamente, me lembrando que tudo estava bem.
Por isso, escolho essa frase para iniciar mon petit cahier, com letras grandes e desengonçadas.
"Saudades daquilo que podia ter sido e que não foi"
E se me permitirem os sonhos, que seja apenas a introdução.